Título Original: O Espelho
Autor (ES): Daniel Sousa e Lucas Queiroz
Idioma: Português
Gênero: Drama e Suspense
Revisão: Nailan Nascimento e Lucas Queiroz
Imagem da Capa: Daniel Sousa e Lucas Queiroz
Dedicatória
Dedicamos
este livro inteiramente, tanto aos alunos como aos professores da Escola
Marvin, desejamos-lhes muitas emoções com este romance de amor de ódio.
Todos me olham, mas ninguém
consegue ver.
Somos iguais, ao mesmo tempo nada a
ver...
Rebelde - Outra Frequência
Introdução
Com
este livro, temos a intenção de mostrar ao leitor, do que um coração cheio de
rancor e ódio é capaz, e também, quais sãos as consequências de carregar esses
sentimentos, dentro de nós. As pessoas não deviam guardar rancor, principalmente
da família, pois ela é o bem mais precioso, que nenhum dinheiro pode comprar.
1.A
Culpa é Dela
Depois
que Selena Borégard, havia descoberto quem era sua família, que lhe abandonara
em um orfanato, ela descobre que tem uma irmã gêmea chamada Helena, que morava
com sua mãe Cecília em uma casa de classe média; ao contrário de Selena que
viveu em uma mansão, com uma rica família que lhe deixou uma grande fortuna.
Selena não teve timidez em ir à casa de sua
mãe e conhecer sua família, de cara. O endereço, em seus documentos de adoção, levou
Selena, até uma humilde casa, o portão já estava velho e bem enferrujado, as
paredes da casa tinham uma pintura amarela desbotada e um jardim amarrotado de
flores. Selena estacionou seu carro, na enfrente da casa e tocou a campainha.
Não demorou muito, e uma senhora abriu a porta, quando ela viu Selena, ficou
pasma, Selena sabia que aquela poderia ser sua mãe, mas não deu muita
importância.
- Ah bom dia, você poderia me
dizer se é aqui que mora a... Cecília Borégard? – Perguntou Selena.
- Eu não acredito! – Sussurrou a
senhora, com lágrimas nos olhos.
- Algum problema?
- Ah, não. Entre! – A senhora
imediatamente abriu o portão e gritou: - Helena? Venha aqui, rápido!
- A senhora está ocupada? Eu
posso voltar outra hora. – Perguntou Selena.
- Não! Claro não. - Antes que a
senhora respondesse uma jovem, a garota que Cecília chamou apareceu, deixando
Selena amedrontada. Ela tinha belos cabelos castanhos e cacheados, que pendiam
nos ombros, mas o que deixou Selena pasmada era que a jovem tinha o rosto igual
ao dela.
- Oi mãe, oque foi? – Depois que,
os olhos da Helena, se encontraram com os de Selena, o mesmo susto percorreu
pelo seu corpo.
- Mãe – Disse Helena, com a voz
tremula. - Porque nunca me contou que eu tinha uma... Irmã... Gêmea?
- Ela é idêntica a min! – disse
Selena para si mesma.
- Como isso é possível? –
Perguntou Helena.
- É uma longa história. – Falou a
senhora, sorrindo.
- Helena – Cecília foi em direção
a Helena e lhe deu um abraço de lado e lhe disse: - Quero que, conheça sua irmã
Selena e Selena, eu sou Cecília, sua...
- Mãe. – Completou Selena.
- É isso mesmo. – E a senhora
abraçou as duas, emocionada. Em quanto Cecília preparava um chá, Selena e
Helena sentaram se no sofá, ficaram tão admiradas olhando uma para outra que
não trocaram nenhuma palavra. E então o silêncio, foi quebrado, por uma voz
masculina.
- Helena oque você tá fazendo? Eu
estava te esperando. – Surgiu um homem alto e forte, ele tinha cabelos pelos
pretos, sua pele era bronzeada e tinha olhos verdes. Quando Selena o viu, inevitavelmente,
ficou apaixonada por ele. Mas o rapaz ficou pálido quando viu Helena e Selena
juntas. Ele fechou os olhos com força e disse:
- Tudo bem, eu tenho que parar
com o champanhe! – Helena riu.
- Rafael, eu sei que é difícil de
acreditar, mas eu tenho uma irmã gêmea! Rafael esta é Selena, Selena este é meu
namorado, Rafael.
- Mas desde quando você tem uma irmã
gêmea? – Perguntou ele incrédulo.
- Desde que, nasceu sem duvida! –
Falou Cecília trazendo uma bandeja com chá e biscoitos.
- Selena, Helena... E Rafael. – Dizia Cecília. – Há vinte anos,
eu estava gravida, já com nove meses e o meu marido havia falecido. Minhas
condições financeiras, não estavam muito melhores do que estão agora, então
quando dei a luz descobri que estava gravida o tempo todo, de duas gêmeas
lindas! – Cecília olhou para o chão. - Mas, infelizmente tive que abrir mão de
uma.
- Então, me colocou para a
adoção. – disse Selena.
- Sim, mas eu tive que fazer
isso, se não... Iriam tirar você de min a força.
- Selena, eu sinto muito. – disse
Helena. – Devia ter sido horrível pra você, passar todos esses anos em um
orfanato.
- Mas você me intende não é
Selena? – Perguntou Cecília, segurando forte, as mãos de Selena. – Eu era quase
uma mendiga quando comecei a cuidar da Helena, quando a minha situação começou
a melhorar, você já tinha 12 anos e uma família já tinha adotado você, então eu
não quis mais, te levar de volta, seria injusto da minha parte...
- Tudo bem mãe, eu intendo. – Perguntou
Rafael.
- Mas e a sua família adotiva,
eles eram legais com você? – Selena não pode deixar de sorrir e lhe respondeu:
- Ahm, sim claro! Eles eram...
Foram ótimos pra min. – Selena respondeu, forçando um sorriso. – Mas quando
descobri que eu ainda tinha uma família.
- Me perdoe Helena, por ter
escondido isso de você todos esses anos e me perdoe Selena deve ter sido
difícil pra você crescer em um orfanato – Dizia Cecília. - A partir de agora,
vamos viver unidos como uma família de verdade.
Os dias foram se passando e todos os momentos
perdidos, com a verdadeira família, Selena foi recuperando. A história da
garota órfã, que se reencontrara com a família, estava quase esquecida, como se
Selena nunca tivesse sido órfã. Porém a paixão que Selena sentia por Rafael foi
crescendo a cada dia, então ela se determinou a conquista-lo, mesmo sabendo que
ele era o namorado de sua irmã. Helena trabalhava em uma grandiosa ONG, e em
num certo dia, Selena ouviu sua irmã falando no telefone, ela estava sendo
chamada para ajudar crianças carentes no Haiti. Com um plano de separar Helena
de Rafael, Selena então contrata um fotografo para que ele tire fotos suas com
um homem em um restaurante, e então mostraria as fotos para Rafael fazendo-o
pensar que Helena estaria lhe traindo e que ela estava planejando fugir com um
homem para o Haiti em sua ONG. Selena então faz conforme seu plano. Quando
Rafael viu as fotos, acreditou na história de Selena e ficou indignando. Ele
foi até a casa de Helena e começou a discussão.
- Como você pôde fazer uma coisa
dessas comigo? Pensei que me amasse! – Helena ficou aflita.
- Rafael, isso é um engano, não
sou eu nessas fotos. Deve ser outra pessoa!
- Você acha que eu sou idiota?
Estou vendo bem aqui, é você com outro cara! – Helena começou a chorar.
- Ela deve ser outra pessoa! –
Selena, que estava presente no momento, lembrou a Rafael sobre a história de
que Helena iria fugir para o Haiti, com outro homem.
- Helena eu sei que, você quer
que ele acredite em você, mas eu ouvi perfeitamente você dizendo que ia embora
para o Haiti...
- É! – Rosnou Rafael. - Isso você
vai negar também?
- Não é verdade! – Protestou
Helena. – Quer dizer... Estavam querendo que eu fosse para o Haiti, mas eu não
aceitei, queria pensar primeiro.
- Você é tão sínica! – Cecília
que também estava presente no momento falou:
- Por favor, se acalmem! Tudo que
está acontecendo aqui, não passa de um mal intendido. – Porque Rafael não conseguia
acreditar em Helena? Como Rafael não podia percebe que naquela foto podia ser
muito bem a Selena e não a Helena? Porque ele não pensou nisso? Por que ele
estava com muitos ciúmes. Dizem que “o
amor é cego”, mas as pessoas com amor e ciúmes conseguem enxergar
bem até demais, conseguem enxergar até mesmo, o que não existe.
Helena saiu pra fora de casa, e entrou no
carro de Selena que dividia com sua irmã. Selena veio em seguida, segurando
uma mala, Helena ficou curiosa, mas não se interessou em perguntar. Nos últimos
dias em que Helena, conviveu com sua irmã, percebeu que Selena era do tipo, que
faz o que é certo, mas não conseguiu deixar de ficar furiosa, com sua irmã e
perguntou a Selena porque ela tinha feito aquilo com ela. Selena ficou em
silêncio. Helena ligou o carro e pediu a Selena para dar uma volta com ela. As
duas ficaram em um grande silencio a viagem inteira. Até o caminho no qual Helena
estava dirigindo, estava em silêncio, um silêncio perturbador. Helena chega ao
local desejado, num lugar bem isolado de frente para o mar. Selena então, puxou
assunto e começou a contar a Helena todo o seus desejos e seus planos: Se
vingar de sua família por tê-la abandonada em um orfanato, fazer a vida de sua
irmã um inferno e tomara o namorado dela, para si.
- Pois é minha querida. É essa a
verdade, eu não gosto de você da mamãe... Eu odeio vocês! – Helena falou:
- Mas por quê? Nós recebemos você
tanto carinho. Pensei que você tivesse intendido quando...
- Ah até parece! Você não faz
ideia de tudo que eu tive que suportar na minha vida, naquele orfanato, na casa
da minha família adotiva. Enquanto eu sofria a perfeitinha da mamãe, tinha uma
vidinha feliz e esperançosa com uma família! Por isso, quando descobri que eu
era adotada, a primeira coisa que desejei era acabar com a família que me
abandonou.
- Mas Selena você também tinha
uma família e eles eram ricos não era mesmo?
- Que apodreçam no inferno! E
sobre o seu namoro... Por que eu fiz aquilo com você? Por que eu amo o Rafael e
quero que ele fique comigo, ao invés de você!
- Sabe que nunca vai conseguir
isso! – Selena abriu um sorriso maléfico e disse:
- É o que veremos. – Selena
colocou a mão no bolço do seu jeans e retirou uma faca e ataca sua irmã. Helena
impede o primeiro golpe e segura com as duas mãos o braço de sua irmã, com a
lâmina a poucos centímetros de seu rosto. Selena aproveitou que sua outra mão,
estava livre e bateu no rosto de sua irmã, que soltou os braços de Selena e
bateu com a cabeça no volante do carro. Selena tentou atacá-la mais uma vez,
mas Helena com uma mão segurou o braço de sua irmã, mais uma vez, Selena puxou
com força o cabelo de Helena, mas ela conseguiu suportar o suficiente, para
usar a outra mão, para abrir a porta do carro. Helena soltou o braço de sua
irmã, se esquivou de mais um golpe e chutou Selena no rosto. Selena caiu
desorientada para fora do carro, enquanto isso Helena não perdeu tempo, jogou a
mala de Selena em cima dela, fechou a porta do carro, pisou fundo no acelerador
e saiu do lugar, indo em direção à cidade, deixando Selena para trás. Selena
também vai para a cidade, mas pegou outro caminho e foi para um hotel e lá, ela
abri sua mala e troca de roupas, se caracterizando de Helena, para tentar
seduzir Rafael. Enquanto isso Helena está dirigindo em alta velocidade e
chorando, de raiva, aflição e desespero, mas ela só pensava em ir pra casa, o
mais depressa possível para contar para todos o que tinha acontecido e
esclarecer a situação. E no quarto do hotel Selena começa a dizer para si mesma
freneticamente:
- A Culpa é dela, a culpa é dela!
E todas as desgraças que aconteceram na minha vida, foram culpa dela! Se prepare Helena, você e
sua mãe e quem estiver ao seu redor vão me pagar caro. Eu quero justiça!
Em quanto dirigia Helena, percebe que seu
rosto estava sangrado, pois sofrera um corte no lado direito do rosto, mas só
agora começara a sangrar. Distraída com seu ferimento ela ultrapassa o sinal, e
um caminhão bate na lateral de seu carro, fazendo-o capotar e explodir. Selena
chega ao local, onde já estão reunidas em volta, várias pessoas. Ela percebe
que a situação é muito grave, pois logo em seguida chega a policia e peritos
para checar o local e concluem que o motorista do veiculo está morto
obviamente. Depois de “nadar” pela multidão Selena, encontra o carro capotado
em chamas. O veiculo estava completamente, destruído, mas a placa nem tanto,
ainda dava para ler e Selena reconheceu que era seu carro, no qual sua irmã
estava. Na mesma hora ela tem uma ideia, um pensamento de pura maldade, e como
estava caracterizada como a sua irmã, no mesmo momento ela se finge de Helena e
faz uma cena no local, ela começara gritar e a chorar e diz que sua irmã
morreu.
Na casa da família de Helena, Selena chega
afirmando que, sua irmã (Selena) morreu, Cecília e Rafael ficam angustiados com
a falsa morte de Selena, principalmente Cecília, que acreditava ter perdido a
filha que acabara de ter de volta em na família.
1.
A
Origem
Vou começar pelo meu nome, me
chamo Selena, tenho 20 anos e desde que eu me lembre, eu sempre morei em um
orfanato, mas quando completei 12 anos fui adotada, por uma família muito rica.
Mas nunca tive motivos para sorrir ou ser feliz minha vida, nunca tive amigos e
sempre que fazia algum eles era adotados e quando eu fui adotada não consegui
fazer mais nenhum! Pois vivia trancada dentro de casa. Meu pai parecia um
faraó, de tão bruto que era. Eu nunca recebi afetos dos meus pais, eles
viajavam muito, diziam que era necessário por causa do trabalho, por isso que
eu me conformava um pouco, e até o fim da minha adolescência fui criada por uma
espécie de babá, uma senhora que fingia cuidar de min, mas eu sempre cuidei de
min mesma e nunca precisei dela, ela era só mais uma empregada dos meus pais
que recebia dinheiro no final do mês.
Eu nunca senti medo de alguém ou de alguma coisa,
eu nunca fui como a maioria das outras crianças, eu nunca tive medo do escuro,
nem de histórias que os nossos pais, nos contam para nos aquietar, como O bicho papão ou dessas “coisas” que pegam
criancinhas, o único medo que eu tinha era de ficar só, eu não saia muito de
casa, mas eu percebia que o mundo era mal e perigoso, e seria impossível viver
nesse mundo, sozinha. Eu sofria muito, meus pais não gostavam de min, se bem
que se, eles não gostavam, quem nesse mundo iria gostar?
Muitas vezes, já pensei em até se matar,
faltava só coragem, o que era muita coisa para esse objetivo, mas quando eu ia
dormir, ficava imaginando em como seria minha vida em outra família, querendo
em meus pensamentos,
se afastar um pouco do mundo real. Em todo
natal desde pequena, meus pais saíam e eu ficava em casa, só com as pessoas que
trabalhavam lá. Na escola eu aprendia que, nesse tempo, é um momento para se
está com a família e trocar presentes, mas eu não poderia ter isso. Então o
Natal pra min era uma data qualquer, não tinha nada para ganhar e ninguém para presentear
com alguma coisa. As coisas foram assim, pra min, durante todos os anos, até no
ano passado, há alguns dias, pra cá, comecei a me sentir realmente
entristecida, comecei a chorar, me desesperar, e a se perguntar: “Por quê?”, “Porque isso esta acontecendo comigo?” Meus pais vão pagar muito
caro e de hoje em diante, não vou mais ser a filhinha obediente e conformada
com a vida, vou fazê-los ouvir a minha voz. Numa certa noite, acordei ouvindo
alguns barulhos, vindo do andar de baixo, sons de um carro estacionando próximo
a minha casa, desci as escada e percebi que algumas das empregadas estavam
falando desesperadamente em voz alta, enquanto o Sr. Carlos, o mordomo da casa,
conversava com dois policiais. Fui até eles e perguntei oque tinha acontecido.
- Senhor Carlos tá tudo bem, o
que ouve? Oque aqueles policiais estavam fazendo aqui?
- Eles nos trouxeram más noticias
sobre, os seus pais, eles... Eles estão mortos. – Quase perdi o equilíbrio das
pernas quando ele disse aquilo. – Disseram que eles foram vitimas de um assalto
ou algo do tipo, a polícia encontrou os corpos mutilados na beira de uma
estrada. – E até hoje eu não sei o que realmente aconteceu, eu só sei que
quando recebi essa noticia meu coração... Bom! Entrou em festa, ele que só sangrava
agora não se aguenta de tanta felicidade. Eu vou ficar rica e sem ter que
depender daqueles coroas.
É, se eu tenho um coração frio, bom! Foram “eles” que me ensinaram a ser assim,
pelo menos alguma coisa em consegui aprender na minha vida. E agora? O que eu
vou fazer? Bom, não sei. Eu me olhava no espelho e não me via, eu não sabia
quem eu era, será que essa angústia vai continuar?
E eu deitada em minha cama, me levanto e vou
ao quarto que era dos meus pais, o único quarto da mansão que eu era proibida
de entrar. Começo a mexer nas coisas deles, encontro fotos velhas, de casamento
dos meus pais, fotos de quando eu era pequena (com uns treze ou quatorze anos)
e etc. E junto com as fotos encontrei uns documentos, com o nome de um orfanato
e o meu nome estava escrito neles, lembrei-me do orfanato em que cresci. Eu fui
adotada. De repente então fiquei curiosa para conhecer a minha família,
conhecer O
ou A desgraçada que me abando, já que
eu tinha dinheiro e já era legalmente de maior, não tinha motivos para não
conhecê-los. Voltei para o meu quarto e dormir, estava decidida que no dia
seguinte iria voltar ao orfanato e saber mais a respeito da minha família,
daquela noite só me lembro de apenas do sonho que eu tive, era o seguinte: eu
me acordo deitada, em uma floresta muito escura e sombria e eu podia escutar
risos, gargalhas e vozes de crianças. Como se elas estivessem brincando em um playground,
ali por perto. Eram muitas as vozes. Por uma instante eu escuto a voz de uma
criança que parecia estar mais perto de min, eu me levanto do chão e vou
andando, seguindo o som de seus passos, quando me dei de conta eu cai num
abismo, eu me lembro de ter gritado o mais alto que eu pude, depois dai a
escuridão tomou conta de min, e eu só escutava o eco da minha voz. Acordei e
percebi que estava em um lugar muito mais escuro, provavelmente era o fundo do
abismo. Então quando eu me levantei, encontrei uma garota, com o rosto aflito,
com certeza era ela que eu estava seguindo. Tentei ir ajudar aquela triste
garotinha, mas então percebi que na verdade eu estava de frente para um espelho
e aquela garota era eu. Mas ela não podia ser eu! Aquela menina tinha um olhar
triste, parecia ter chorado muito, e então se transformou se tornando uma
menina amarga, com o olhar frio, como se algo a estivesse irritando. Eu acordei
confusa, vi a claridade que entrava pela janela, já era de manhã e fazia muito
frio, que me fez se lembrar da floresta sombria. Quando me levantei, antes que
fizesse qualquer coisa, me lembrei dos documentos do orfanato nas coisas dos
meus pais, eu os peguei e sai de casa, mas infelizmente, já fazia tantos anos
que eu saíra daquele orfanato, que nem se lembrava mais da sua localização,
geralmente eu quase não tinha permissão de sair de casa, por tanto fiquei meio
perdida pela cidade. Quando eu chego em casa, Afonso, o advogado do meu pai
estava lá, conversando com o sr. Carlos dizendo que, a herança dos meus pais iriam ser dividas ente meus
tios e que eles iriam se mudar para minha casa. Nunca vi ninguém da minha
família e nem queria ver, eu já estava muito bem, sozinha.
- Não quero que ninguém toque no
meu dinheiro! – Protestei. Afonso ficou surpreso ou em me ver ou em eu ter
ouvido a conversa.
- Selena, eu só estou fazendo
isso para te ajudar, imagino o quanto você deve estar sozinha agora, que perdeu
os seus pais. – Disse ele com uma voz suave.
- Eu estou muito bem sozinha
obrigada. E se você se lembra, eu sou adotada e quero encontrar a minha família
verdadeira.
- Ahm, sim, claro.
- Quero informações sobre meus
pais verdadeiros.
- Selena... Acho que isso não é
uma boa ideia.
- Eu não perguntei sua opinião,
quero saber quem me deixou naquele orfanato. – Afonso suspirou.
- Se é isso que você quer, eu
intendo. Mas quero que pense bem, no que está procurando. – Revirei os olhos.
- Por quê?
- Pode não gostar, do que vai
encontrar. – Afonso disse aquilo num tom sombrio, que até me amedrontou um
pouco, me fazendo se arrepender um pouco, mas insisti. Entreguei meus
documentos a Afonso e pedi que ele me levasse ao orfanato. Quando chegamos ao
endereço certo, entramos no orfanato, ele não estava muito diferente, apenas
parecia ter encolhido, por lá eu vi várias crianças correndo eu estava muito
ansiosa, minhas mãos soavam, queria muito me vingar da família que me abandonou
ali. Depois de um bom tempo eu encontro a coordenadora do Orfanato.
- Com licença? – Perguntei
impaciente, li o nome em seu crachá. – Sra. Marta.
- Posso ajudar? – Perguntou a
senhora levantando uma sobrancelha.
- Sim. – Mostrei pra ela o cartão
do orfanato. – Preciso de respostas. – Ela olhou pra min com um olhar de
espanto, como se me conhecesse. Porém eu tinha a sensação de que também a
conhecia.
- Quero saber quem me abandonou
aqui! Será que você pode me dizer?
- Ah sim claro! – Disse Marta,
com se tivesse acordado de um transi. Ela me pediu para que eu a acompanhe até
seu escritório.
- Sua mãe veio lhe entregar para
a adoção quando você era apenas um bebê. – Marta me entregou uma ficha, a foto
no topo da folha no lado esquerdo, mostrava uma mulher de pele branca e cabelos
escuros, seu nome era Cecília Boregard, eu não era muito parecida com ela, provavelmente
“puxei” o meu pai.
- Ela não tinha condições de
cuidar das duas filhas. Não foi nada fácil pra ela. – Um pequeno susto me
sobressaltou.
- Como disse? Duas filhas? – Minha voz saiu mais alto
do que imaginei.
- Sim duas filhas, você tem uma
irmã gêmea. – Se eu não estivesse sentada em uma cadeira, poderia jurar que teria
caído dura no chão. – Sua mãe teve que tomar uma decisão muito difícil de
escolher apenas uma de vocês. Ela mora na cidade vizinha, isso é tudo que eu
sei sobre ela.
- Vou encontra-la, muito obrigada
Sra. Marta, me ajudou muito.
- Minha querida, me escute, não
importa oque você pretende fazer perdoe a sua mãe. – Abri um sorriso para Marta
e disse:
- Mas é claro, que a perdoo!
Apenas quero conhece-la – Não perdi tempo, peguei o meu carro, fiz as malas e
viajei para a cidade vizinha. Cheguei lá no fim do dia e me hospedei num hotel.
De manhã saí à procura de pistas, eu tinha o endereço, mas precisava de um tempo.
Fui ao shopping da cidade, assim que cheguei lá encontrei uma garota que
aparentava ter a minha idade, muito parecida comigo, seu cabelo estava preso
num rabo de cavalo. Mas sua aparência física era igual a minha. Minha irmã
gêmea, pensei. Eu poderia estar ficando louca, mas eu descendi segui-la e descobri
onde ela morava, a casa se localizava no mesmo endereço nos documentos do
orfanato. Decidi voltar para o hotel e fiquei pensando no quanto eu sofri, eu
poderia ter sido feliz, os sofrimentos que passei, poderiam nunca ter existido,
se não fosse pela minha irmã. Se não fosse por ela, minha mãe não precisaria
ter tomado alguma decisão, mas tudo foi culpa da minha irmã, que ao contrário
de min, viveu muito feliz por ser a escolhida. No dia seguinte eu irei à casa
da minha família, e darei inicio ao meu jogo de vingança e me vingarei de todos
eles, vou passar por cima de tudo e de todos para conseguir oque quero. O meu
tempo de ser feliz finalmente vai começar, mas para isso eu quero que a minha
irmã sofra.
3. A semente Foi Plantada
Selena que agora se passava por
Helena, tomava pouco à vida de sua irmã. O clima na casa ainda estava nublado,
devido à suposta morte de Selena, mas ela nem fingia que se importava, tudo que
Selena mais se empenhava era fingir que era Helena, para sua mãe e para Rafael.
Passando um mês Selena consegue conquistar Rafael, ela o beijou pela primeira
vez no apartamento dele, de um jeito tão diferente e agressivo, que o próprio Rafael
estranhou, e com o passar do tempo os dois decidem se casar. Mas o
comportamento de Selena começa a ficar visível a quem estava ao seu redor.
Cecília pergunta a Rafael se ele não notou o jeito estranho de Helena no modo
com ela fala com as pessoas agora, a dedicação no trabalho, e em algumas manias
de antigamente que agora ela não tem mais. Rafael diz que deve ser por causa do
casamento ou dos acontecimentos recentes e Cecília se conforma. O Casamento se
aproxima e Cecília e Selena vão experimentar o vestido e conferir os
preparativos para a festa. Chega o dia do casamento, com a ajuda do dinheiro de
Selena, a festa fica magnifica na igreja, uma noite de muita emoção, tudo
estava lindo e perfeito, o sonho de qualquer mulher. Após a festa Rafael e
Selena vão passar um mês em lua de mel em um cruzeiro. Dois meses se passam e
Selena e Rafael, estão de volta. Selena descobre que está gravida. Essa notícia
deixa Rafael muito contente, os meses de gestação foram muito felizes para toda
a família e Selena então viveu os momentos mais felizes de sua vida. Quando Selena
chega ao sétimo mês e meio da gestação, Rafael recebe um telefonema. Ele ouvia
a voz de uma mulher que não queria se identificar, pedido para que ele a
encontrasse em um certo local, advertindo-o que era muito importante. Rafael
ficou muito desconfiado, e começa a se perguntar: “Quem será essa mulher?” e “O
que será de tão importante?” Ele resolve então ir. O lugar do encontro exigido
pela mulher era em, um apartamento de frente para o mar, ele tocou a campanha
do apartamento e quando a porta se abriu, ele levou um susto quando vê quem
estava lá, Rafael não conseguiu acreditar no que via de ante da sua frente era
Helena, mesmo com a cicatriz de um enorme arranhão em seu rosto ele pensou que
era a...
- Selena? – Perguntou ele com a
voz tremula. – Você tá viva? – Ela então lhe responde com a voz fria e seria.
- Não Rafael. Eu não sou Selena,
eu sou Helena.
- Como assim você é a Helena? –
Helena suspirou frustrada.
- Depois da discussão que tivemos eu sai de casa e
minha irmã Selena, veio comigo nos duas saímos no carro. Depois de uma conversa com minha irmã, Selena tentou me
matar com uma faca, mas consegui me livrar dela, fiquei muito furiosa, fui o
mais rápido possível pra casa, só que um caminhão bateu no carro e eu capotei e
por sorte consegui sair do carro antes que ele explodisse.
- E porque você não voltou pra
casa, porque não nos contou oque aconteceu?
- Como eu disse eu estava muito
furiosa, não é era uma boa ideia falar com alguém naquele estado e eu ainda
estava muito surpresa com tudo aquilo, que ela me disse.
- E o que ela disse? – E Helena
contou a Rafael todo o plano que Selena, vinha tramando.
- Então quer dizer que esse tempo
todo... Quer dizer que me casei com uma impostora.
- O que você quer dizer com isso?
– Perguntou Helena.
- Selena está se passando por
você, nós nos casamos e ela está grávida. – A notícia deixou Helena muito
abalada, ela ficou muito triste.
- Imaginei que ela iria se
aproveitar do meu “sumiço” para aprontar alguma... Precisamos desmascará-la! –
disse Helena furiosa.
- Acho que sei oque fazer. – No
dia seguinte, Rafael convida toda a família para uma festa em comemoração a
gravidez de sua esposa. Chegando no dia da comemoração, á noite Selena é levada
para a sua festa, reservada em um enorme e luxuoso buffer, onde estão reunidos
todos os seus amigos e familiares. Rafael diz a Selena que está muito feliz com
o casamento, Selena fala que esses são os melhores momentos de sua vida ela
tenta beija Rafael, mas ele a impede. É anunciada a cantora que irá cantar no
palco em homenagem a Helena, que na verdade é Selena. Quando a cantora sobe no
palco, Selena ficou pasma, pois quem estava no placo era Helena caracterizada
com as roupas de Selena. Todos na festa ficaram apavorados, com a inesperada
pessoa que ali estava exceto Rafael. Cecília abraça muito forte Helena pensando
ser Selena, mas ela lhe revela que é Helena, deixando Cecília confusa.
- Agora escutem todos vocês! –
Dizia Helena ao microfone. – Eu sou a verdadeira Helena, - Todos na festa começam
a murmurar incrédulos. - Essa daí é a minha irmã gêmea, Selena, ela queria se
vingar de min e da minha família porque minha mãe teve que deixa-la num
orfanato por motivos financeiros. Quando o carro que eu diria explodiu eu fugi,
mas Selena se aproveitou do momento pra se passar por min e roubar a minha
vida. Selena olha em volta e todos olhavam para ela com desprezo e decepção,
alguns até sacudiam a cabeça para ela. Selena então pega um talher da mesa, uma
faca e se levanta apontando a faca para todos, como se aquilo fosse uma arma mortífera.
Selena foge desesperada, pela porta lateral do salão de festa, Helena e Rafael
correm atrás dela. Mas Rafael correu com mais velocidade conseguindo alcançar Selena,
ele a agarrou por trás impedindo-a de fugir, mas então Selena pisa no pé de
Rafael, com o salto, fazendo-o gritar de dor. Quando Selena conseguiu se livrar
dos fortes braços de Rafael, ela enterrou a faca em seu abdômen. Rafael tentou
gritar, mas sua voz pareceu não sair, quando Selena puxou de volta a faca,
Rafael caiu sentado no chão e Selena começou a esfaqueá-lo. Mas no mesmo
momento, Helena chegou ao local e gritou:
- Ah meu Deus! - Quando Selena
notou a presença de sua irmã imediatamente fugiu do local. Helena pensou em
correr atrás de Selena, mas vez Rafael caído ali no chão lhe deixou
desesperada.
- Ah meu Deus, Rafael! – Helena chorava.
- Não se preocupe comigo, vá! –
Rafael parecia estar gravemente ferido, mas falava muito bem.
- Não vou deixar você, de novo
não!
- Eu estou bem, mas a Selena está
fugindo, vá atrás dela!
- Tá bom! – Helena levantou-se e
foi em busca de Selena, na frente do Buffer havia um labirinto de arbustos, mas
Helena conseguiu encontrar a saída, ela olhou na calçada e na rua e não
encontrou Selena o que a levou acreditar que sua irmã ainda estava ali. Helena
foi no corredor principal dos arbustos que levavam a porta principal do buffer
e gritou:
- Selena? Não pode se esconder
para sempre. – A coragem de Helena desapareceu quando viu, sua irmã no fim do
corredor segurando a faca suja de sangue, o sangue de seu namorado. Helena
respirou fundo e gritou:
- Você me odeia? Então venha me
pegar! – Oque Helena temia aconteceu, Selena rosnou e começou a correr em
direção a Helena, com a faca na mão, sem se importar com sua gravidez. Selena
seguiu Helena enlouquecidamente até o meio da rua e sem perceber, um carro
vinha em alta velocidade em sua direção. O motorista do carro conseguiu frear,
mas não adiantou muito, o carro bateu em Selena empurrando-lhe. Selena caiu no
chão se queixando de dor. Cecília que se aproximava, junto Helena e o motorista
do carro se desesperam na hora, Selena e Rafael foram levados para um hospital.
Cecília e Helena chegam ao hospital, muito nervosas. Um médico lhes conta que o
bebê terá que nascer prematuramente e que o parto será de muito risco tanto
para Selena como para o bebê, pois ela está com a pressão muito alta e que ela
pode ter uma Eclampsia que é uma crise convulsiva que ocorre em mulheres
durante o parto, que pode levar a morte, e que se ocorrer Selena terá que fazer
uma escolha, ou vive ela ou a criança. Selena recebeu no quarto, Cecília e
Helena.
- Oi filha! – disse Cecília com
lagrimas nos olhos.
- Mamãe, Helena me desculpa por
tudo! – Disse Selena com fraqueza. - Tudo que eu fiz com vocês.
- Não Selena. – disse Cecília. -
perdoe a min por ter te abandonado naquele orfanato, que tipo de mãe faz
acepção de filhos, deveria ter sido forte e cuidar de vocês duas juntas, sem
ligar para as condições financeiras.
- você só queria o melhor pra
min, como qualquer mãe faria. Eu é que fui uma rancorosa, imbecil.
- Você só queria ser feliz
Selena. – Disse Helena.
- Mas procurei os maus caminhos
para conseguir isso. – As três ali se abraçam, mãe as duas filhas gêmeas. Tão
iguais, mas ao mesmo tempo tão diferentes.
- Selena? – Chamou o médico que
entrou no quarto.
- Doutor. – disse Selena. – Se
houver alguma decisão de escolha entre min e a criança, eu escolho a criança. –
Cecília começa a chorar, mais ainda e o médico pede que Helena e Cecília se
despida de Selena, pois a cirurgia irá começar. Na hora do parto aconteceu oque
o médico temia, Selena teve a Eclampsia, a criança nasce, mas Selena morre.
Cecília se desespera quando, é informada da triste noticia e um dia depois aconteceu
o enterro de Selena Boregard.
Selena,
agora ela realmente, estava morta para família. Helena da o mesmo nome da mãe,
para a criança, que cuida dela junto Rafael, já recuperado, como se fosse sua
filha, a vida da família volta ao normal e Cecília consegue vê sua filha
verdadeira, com os mesmo comportamentos e manias. E então Helena e sua família
viveram uma vida longa e prospera.
No
espelho de Selena refletia ódio, desprezo, vingança, inveja, ira e amargura. Já
no espelho de Helena reluzia amor, carinho, compreensão e alegria. E no seu
espelho o que reflete?
Agradecimentos
Agradecemos
este livro ao nosso professor de filosofia Emerson Praciano, que nos deu a
oportunidade de criar, está história e compartilha-la com os outros.
Também
Agradecemos a nossa professora de português, Luciana, que nos mostrou o fantástico
mundo da literatura e também ao nosso colega Nailan Nascimento por nos ter
ajudado com o desenvolvimento deste livro.

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